O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar reorganizar sua situação financeira e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve a companhia e outras nove empresas ligadas ao grupo.

Segundo a empresa, a medida foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial.

A companhia afirma que pretende manter suas atividades durante o processo, incluindo o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.

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Decisão ocorre em meio a dificuldades financeiras

De acordo com a Casas Bahia, a deterioração do cenário econômico contribuiu para o agravamento da situação financeira. Entre os fatores apontados estão os juros elevados, a maior restrição ao crédito, o aumento das despesas financeiras e a redução do consumo.

A empresa também informou que tentou captar novos recursos para reforçar o caixa, mas algumas das operações planejadas não foram concluídas.

Entre as alternativas avaliadas estavam uma possível oferta de ações, novas linhas de crédito e operações com investidores internacionais. Uma negociação considerada estratégica pela companhia acabou não avançando após a desistência do investidor que seria o principal participante.

Diante das dificuldades para obter liquidez, a empresa decidiu recorrer à recuperação judicial como forma de reorganizar suas obrigações e buscar condições para manter as operações.

Casas Bahia já havia feito recuperação extrajudicial

A atual recuperação judicial ocorre cerca de dois anos depois de a companhia realizar uma recuperação extrajudicial.

Em 2024, a empresa renegociou aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na ocasião, a expectativa era de que a redução dos custos financeiros, a renegociação dos débitos e uma possível recuperação do consumo ajudassem a estabilizar as contas.

A companhia, porém, afirma que as condições econômicas continuaram pressionando sua capacidade de geração de caixa.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre

O anúncio da recuperação judicial ocorreu um dia depois da divulgação dos resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026.

Entre abril e junho, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões desse valor estão relacionados a efeitos extraordinários, ajustes contábeis e despesas ligadas ao processo de reestruturação.

Apesar do resultado negativo, alguns indicadores apresentaram evolução. A receita líquida avançou 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões. As vendas realizadas diretamente pela internet cresceram 15,3%, alcançando R$ 2,8 bilhões.

A empresa também informou que conseguiu melhorar a geração de caixa, reduzir a dívida líquida e ampliar os prazos de vencimento de parte relevante dos financiamentos.

Plano de transformação prevê redução de custos

O pedido de recuperação judicial está inserido na segunda etapa do Plano de Transformação iniciado pela companhia em 2023.

Como parte da estratégia, a Casas Bahia fechou 298 lojas consideradas pouco rentáveis, reduziu estoques e adotou medidas para diminuir despesas.

A empresa afirma que a estratégia busca melhorar a rentabilidade das unidades que permanecem em funcionamento e aumentar a capacidade de geração de caixa, em vez de priorizar a expansão da rede.

Nos últimos meses, a administração também realizou conversas com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em busca de alternativas para fortalecer a estrutura financeira.

Empresas incluídas no processo

Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial envolve outras empresas do grupo, entre elas:

ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.;

ASAP Log Ltda.;

CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.;

Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.;

Globex Administração e Serviços Ltda.;

Cnova Comércio Eletrônico S.A.;

Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.;

Casas Bahia Tecnologia Ltda.;

Indústria de Móveis Bartira Ltda.

Por ter sido apresentado em caráter de urgência, o pedido ainda deverá ser submetido à ratificação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

Mudanças na administração

No mesmo anúncio, a companhia comunicou alterações em sua estrutura administrativa.

Fábio Spina deixou a posição de vice-presidente Jurídico e Tributário, função que ocupava desde 2024. Ele, entretanto, continuará prestando consultoria à empresa durante o processo de reestruturação.

Para o cargo foi nomeada Sírley Lima, executiva com mais de duas décadas de experiência profissional e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.

Também foram anunciadas mudanças no Conselho de Administração. Jackson Schneider e Rogério Calderón deixaram suas posições. Cláudia Quintella Woods passou a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assumirá uma vaga no Comitê de Finanças.

Mesmo fora do Conselho de Administração, Jackson Schneider continuará coordenando os comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia.

FONTE/CRÉDITOS: G1