O Piauí reúne atualmente 81 processos minerários relacionados à pesquisa e exploração de terras raras, segundo informações do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Os dados foram divulgados em entrevista ao portal O Dia e mostram o avanço do interesse pelo potencial mineral do estado.

Do total de processos registrados, 61 já estão na etapa de autorização de pesquisa, enquanto outros 20 permanecem na fase de requerimento. Juntos, os pedidos abrangem uma área de aproximadamente 130,4 mil hectares em território piauiense.

De acordo com o ministro, a maior parte dos processos está concentrada em áreas próximas aos municípios de Itainópolis e Santa Cruz dos Milagres. A dimensão da área envolvida, segundo Silveira, demonstra a relevância do Piauí dentro do cenário nacional de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e para a transição energética.

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As terras raras correspondem a um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em diferentes setores da indústria moderna. Esses minerais estão presentes na fabricação de equipamentos eletrônicos, celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia, ímãs de alto desempenho e equipamentos empregados na área de defesa.

Piauí ganha destaque na corrida por minerais estratégicos

O avanço das pesquisas coloca o Piauí em uma posição de destaque na corrida mundial por minerais críticos. O Brasil possui importantes reservas de terras raras, enquanto países como China e Estados Unidos disputam espaço e influência sobre as etapas de extração, processamento e industrialização desses recursos.

Para o ministro Alexandre Silveira, o desafio brasileiro não deve se limitar à retirada do minério e à exportação da matéria-prima. A estratégia defendida pelo governo federal é estimular também as etapas de maior valor agregado, como separação química, refino, produção de ligas metálicas e fabricação de ímãs permanentes.

A proposta é criar condições para que novos investimentos resultem em empregos, desenvolvimento tecnológico e geração de renda dentro do próprio país. Nesse cenário, o Piauí poderá participar não apenas da fase de pesquisa e extração, mas também de uma cadeia industrial relacionada aos minerais estratégicos.

Governo defende industrialização dos minerais

Segundo Silveira, o governo federal trabalha na construção de políticas públicas voltadas à segurança jurídica e à atração de investimentos para o setor mineral. Entre as iniciativas mencionadas estão o Conselho Nacional de Política Mineral e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que prevê medidas de incentivo à pesquisa, extração, processamento e transformação industrial.

A preocupação é evitar que o Brasil permaneça concentrado apenas na exportação de recursos naturais. Para o governo, o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional pode aumentar a competitividade da indústria brasileira e permitir que uma parcela maior da riqueza gerada pela mineração permaneça no país.

No caso do Piauí, a expectativa é que o avanço das pesquisas possa abrir novas oportunidades econômicas, especialmente nas regiões onde os processos minerários estão concentrados.

O interesse crescente pelas terras raras também ocorre em um momento de expansão da demanda mundial por tecnologias relacionadas à energia limpa e à eletrificação. Com isso, os minerais estratégicos passaram a ter importância econômica e geopolítica cada vez maior.

A consolidação desse potencial, no entanto, dependerá do resultado das pesquisas, da viabilidade econômica dos projetos, do cumprimento das normas ambientais e da capacidade de transformar os recursos minerais em uma cadeia produtiva capaz de gerar benefícios duradouros para o Piauí e para o Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: Portal o dia de comunicação