O Brasil e os Estados Unidos devem retomar, na próxima semana, as negociações comerciais entre os dois países. O encontro deverá reunir o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e integrantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A reunião ainda não tem data definida. Segundo o MDIC, o governo brasileiro recebeu contato do representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, após a conversa telefônica realizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A retomada do diálogo ocorre em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A expectativa das autoridades dos dois países é utilizar o novo canal de negociação para buscar alternativas e reduzir os impactos das medidas sobre as relações comerciais.

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Lula conversa com Trump

Lula telefonou para Trump e manteve uma conversa que durou cerca de uma hora e 20 minutos. De acordo com o Palácio do Planalto, o diálogo ocorreu de maneira cordial e teve como um dos principais temas a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Durante a conversa, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações e contestou as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas.

Entre os pontos citados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao desmatamento, propriedade intelectual, acordos preferenciais, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Lula argumentou que as tarifas podem gerar prejuízos para os dois países e destacou a importância do diálogo para preservar os vínculos comerciais e econômicos entre Brasil e Estados Unidos.

Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter os canais de comunicação e sinalizou a disposição de permitir que representantes dos dois governos voltem a negociar.

Novo canal de negociação

A próxima reunião deverá contar com a participação do ministro Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e representantes do USTR. A iniciativa é vista pelo governo brasileiro como uma oportunidade para avançar nas discussões e buscar uma solução negociada para o impasse provocado pelas tarifas.

Em nota conjunta, o MDIC e o Ministério das Relações Exteriores afirmaram que a sinalização dada pelos presidentes dos dois países representa uma nova oportunidade para o diálogo diplomático e comercial.

A retomada das conversas poderá ser importante para setores brasileiros que dependem do mercado norte-americano e que podem ser afetados pelas medidas tarifárias.

Segurança também esteve na pauta

Além das relações comerciais, Lula e Trump também conversaram sobre segurança e o combate ao crime organizado.

Durante o diálogo, o presidente brasileiro defendeu uma atuação conjunta entre Brasil e Estados Unidos para enfrentar organizações criminosas. Lula destacou que esses grupos exercem pressão principalmente sobre populações vulneráveis, mas afirmou que não devem ser classificados como organizações terroristas.

O presidente também apresentou ao governo norte-americano algumas das ações adotadas pelo Brasil para combater o crime organizado. Entre as medidas citadas estão iniciativas de combate ao financiamento das organizações criminosas, que, segundo o governo brasileiro, já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Lula mencionou ainda a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus.

Segundo o Palácio do Planalto, Trump demonstrou interesse em ampliar a cooperação entre os dois países na área de segurança. O presidente norte-americano também teria indicado que integrantes de alto escalão de seu governo deverão participar das próximas tratativas com as autoridades brasileiras.

A expectativa agora é que as equipes de Brasil e Estados Unidos definam a data da reunião e avancem nas negociações sobre as tarifas e demais questões que envolvem a relação comercial entre os dois países.

FONTE/CRÉDITOS: Reprodução divulgação