A investigação da Polícia Federal sobre a vereadora de Piripiri, Francinalva Coelho de Melo (PDT), conhecida como Nalvinha Melo, revelou que sua conta bancária movimentou mais de R$ 2,8 milhões entre os anos de 2025 e 2026. As informações constam em relatório obtido pelo g1 e fazem parte das apurações sobre uma possível prática de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

O caso ganhou repercussão após a parlamentar ser presa em flagrante na última quarta-feira (24), dentro de uma agência do Banco do Brasil, em Piripiri, quando tentava sacar R$ 500 mil em dinheiro vivo.

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A abordagem foi realizada após um alerta emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou a movimentação financeira considerada atípica e comunicou o fato à Polícia Federal.

Durante a ação, os agentes apreenderam os R$ 500 mil em espécie, comprovantes bancários e um aparelho celular pertencente à vereadora. A Polícia Federal também solicitou autorização judicial para realizar a extração dos dados armazenados no dispositivo, que poderão auxiliar no andamento das investigações.

Movimentações financeiras sob investigação

De acordo com o relatório policial, a conta de Nalvinha Melo recebeu R$ 2.847.111,00 em créditos no período analisado. Conforme a investigação, a maior parte dos recursos teve origem em uma empresa da qual a parlamentar figura como sócia-administradora.

Ainda segundo a Polícia Federal, essa empresa recebeu aproximadamente R$ 14,3 milhões em pagamentos provenientes de contratos firmados com prefeituras entre os anos de 2022 e 2026.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a utilização de grandes quantias em dinheiro em espécie possa ter sido uma estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos financeiros, prática frequentemente analisada em investigações relacionadas à lavagem de dinheiro.

Além disso, a Polícia Federal apura se houve eventual desvio de verbas públicas vinculadas aos contratos celebrados entre a empresa e administrações municipais.

Liberdade provisória e medidas cautelares

Após passar por audiência de custódia na quinta-feira (25), Nalvinha Melo obteve liberdade provisória mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 20 mil.

Como condição para responder ao processo em liberdade, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares, entre elas:

- Comparecimento periódico à Justiça a cada dois meses;

- Proibição de deixar a residência sem autorização judicial;

- Proibição de manter contato com pessoas indicadas pela investigação;

- Afastamento da administração da empresa de material de construção da qual é sócia.

Nalvinha Melo assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Piripiri em agosto de 2025, após a convocação de suplentes decorrente da cassação de outros vereadores.

Defesa afirma que recursos têm origem lícita

Em nota oficial, a defesa da vereadora informou que a liberdade provisória foi concedida porque o Poder Judiciário entendeu não estarem presentes os requisitos para a manutenção da prisão preventiva.

Os advogados também sustentam que o saque de uma elevada quantia em dinheiro, por si só, não configura crime previsto na legislação brasileira.

Segundo a defesa, a origem dos recursos e sua destinação serão devidamente comprovadas durante o andamento do processo judicial. Os representantes da parlamentar afirmam ainda que a movimentação financeira havia sido previamente comunicada e que, ao final da instrução processual, ficará demonstrada a inexistência de qualquer prática criminosa.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que continua reunindo provas para esclarecer a origem dos recursos e verificar a existência, ou não, de irregularidades envolvendo contratos públicos e movimentações financeiras da empresa ligada à vereadora.