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A urna eletrônica completa 30 anos em 2026. Criada para modernizar o processo eleitoral brasileiro, a tecnologia começou a ser utilizada nas eleições municipais de 1996 e, desde então, passou por diversas atualizações para ampliar a segurança, a confiabilidade e a transparência das eleições.
Ao longo dessas três décadas, a Justiça Eleitoral desenvolveu 14 modelos diferentes de urnas, incorporando recursos tecnológicos como a biometria. No Piauí, o equipamento será utilizado mais uma vez nas eleições deste ano, que definirão presidente da República, governador, senadores e deputados federais e estaduais.
Em entrevista sobre o funcionamento da tecnologia, o secretário de Inteligência da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Anderson Lima, explicou que a urna possui características diferentes de um computador convencional.
Segundo ele, trata-se de um equipamento desenvolvido especificamente para a votação e protegido para executar somente programas previamente autorizados, desenvolvidos e submetidos a testes pela Justiça Eleitoral.
Além da proteção dos sistemas, a estrutura física da urna também foi projetada para funcionar em diferentes regiões do país. O equipamento precisa suportar condições variadas, desde grandes centros urbanos até áreas remotas, como regiões da Amazônia e do Pantanal.
Fraudes com cédulas de papel impulsionaram mudança
A adoção da urna eletrônica foi resultado de um processo de modernização do sistema eleitoral brasileiro. Um dos principais episódios que evidenciaram os problemas da votação em papel ocorreu nas eleições gerais de 1994.
Naquele pleito, foram identificadas fraudes durante a votação e a apuração no Rio de Janeiro. Os problemas contribuíram para a anulação das eleições para os cargos de deputados federais e estaduais em determinadas localidades.
Entre as práticas registradas estava a chamada "urna grávida", quando cédulas previamente preenchidas eram colocadas dentro das urnas de lona antes do início da votação.
Outro mecanismo de fraude era conhecido como "mapismo". A prática ocorria durante a transcrição dos resultados, permitindo alterar a distribuição dos votos entre candidatos sem modificar o número total registrado.
Os episódios contribuíram para acelerar a busca por uma solução tecnológica capaz de reduzir a interferência humana na apuração e tornar o processo mais rápido e seguro.
Urna eletrônica não utiliza internet durante a votação
Um dos principais esclarecimentos feitos pelo TRE-PI diz respeito à possibilidade de invasão da urna por meio de ataques virtuais.
De acordo com Anderson Lima, o equipamento não possui conexão com redes externas durante a votação. A urna não utiliza Wi-Fi ou Bluetooth, o que impede que um eventual ataque pela internet seja realizado diretamente durante o processo de votação.
Além disso, a Justiça Eleitoral promove testes de segurança antes das eleições. Especialistas e instituições autorizadas participam de procedimentos destinados a identificar possíveis vulnerabilidades e verificar a integridade dos sistemas.
O código-fonte utilizado no sistema eleitoral também é disponibilizado para fiscalização de partidos políticos e instituições habilitadas dentro do período estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Sistema passa por testes e auditorias
A segurança da urna eletrônica não depende apenas do funcionamento do equipamento no dia da eleição. O sistema passa por diferentes etapas de verificação antes do pleito.
Entre os procedimentos estão testes públicos de segurança, validações dos programas e cerimônias destinadas a verificar a integridade dos sistemas que serão utilizados nas eleições.
Também são realizadas votações simuladas para conferir se os votos registrados correspondem exatamente aos resultados apresentados ao final do procedimento.
A metodologia permite verificar, de forma prática, se o sistema está executando corretamente os programas que foram previamente desenvolvidos, testados e autorizados pela Justiça Eleitoral.
Voto pode ser auditado
Outro ponto destacado pelo TRE-PI é a possibilidade de auditoria do processo eleitoral.
Segundo Anderson Lima, existem mecanismos que permitem a fiscalização e a conferência dos resultados. Entre eles estão o Registro Digital do Voto (RDV) e arquivos de log, que podem ser utilizados dentro dos procedimentos previstos pela legislação eleitoral.
Esses mecanismos possibilitam que partidos e entidades autorizadas realizem verificações e, quando solicitado dentro do prazo estabelecido, façam totalizações paralelas para conferir os resultados oficiais.
Tecnologia mudou a apuração no Brasil
A implantação das urnas eletrônicas modificou significativamente o processo eleitoral brasileiro. Antes da digitalização, a votação era realizada por meio de cédulas de papel e a apuração dependia de procedimentos manuais, o que tornava o processo mais demorado e sujeito a diferentes tipos de interferência.
Com a tecnologia, a divulgação dos resultados passou a ocorrer em poucas horas após o encerramento da votação, mesmo diante das dimensões territoriais do Brasil e do número de eleitores.
Em 2026, três décadas após a primeira utilização em eleições municipais, a urna eletrônica será novamente protagonista do processo eleitoral. Para a Justiça Eleitoral, a trajetória é marcada pela evolução tecnológica, pela realização de testes, pela fiscalização e pela adoção de mecanismos de auditoria.
A tecnologia chega, assim, a mais uma eleição nacional como parte central do sistema de votação brasileiro, que busca combinar rapidez na apuração com mecanismos destinados a garantir a segurança e a transparência do processo eleitoral.
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