Há crimes que, além da violência, deixam uma sensação ainda mais incômoda: a de que o tempo passa, as manchetes desaparecem e algumas perguntas continuam sem resposta.

É exatamente essa a situação envolvendo o assassinato da advogada Valdenice Gomes Celestino Soares, em Paulistana, no Sul do Piauí. Em setembro de 2026, um ano e seis meses após a execução, Adelaido Gomes Celestino, apontado pela Polícia Civil como principal responsável pelos disparos que mataram a própria irmã, continua sem ser localizado.

A pergunta que permanece é inevitável: como alguém apontado pela própria investigação policial como executor de um crime tão grave consegue permanecer desaparecido durante tanto tempo?

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A investigação reuniu depoimentos, mensagens, áudios, análises técnicas, registros de conexão com a internet e outros elementos que, segundo a Polícia Civil, ajudaram a reconstruir a dinâmica do assassinato e os acontecimentos posteriores à fuga. Mesmo assim, o principal investigado continua fora do alcance das autoridades.

Um crime dentro da própria família

Valdenice Celestino não teria sido vítima de uma violência aleatória. Segundo a investigação, o assassinato ocorreu em meio a um conflito familiar envolvendo patrimônio e terras herdadas.

A advogada exercia a função de inventariante dos bens da família, circunstância que teria provocado desentendimentos entre os irmãos.

O que chama atenção no caso é que, de acordo com os elementos reunidos pela Polícia Civil, as divergências teriam deixado de ser apenas uma disputa familiar ou judicial e evoluído para ameaças de violência.

Mensagens e áudios entregues aos investigadores teriam indicado a escalada do conflito.

Em uma das mensagens atribuídas a Narciso Gomes Celestino, o conteúdo apontaria que o problema não seria solucionado somente pela Justiça, mas “na bala”.

A ameaça, segundo a linha investigativa, acabou antecedendo a tragédia.

Advogada foi surpreendida no caminho de casa

No dia do crime, Valdenice retornava de uma propriedade rural pertencente à família. Ela teria ido ao local para verificar uma cerca que vinha sendo danificada.

A advogada estava acompanhada de uma irmã e do neto quando foi surpreendida.

O ataque teria ocorrido em uma emboscada. Valdenice foi atingida pelos disparos e morreu em decorrência da violência sofrida.

A Polícia Civil passou então a investigar não apenas quem efetuou os tiros, mas também as circunstâncias que teriam antecedido o crime e a possível participação de outras pessoas na preparação e na fuga.

Fuga e esconderijo debaixo do chão

Após o assassinato, Adelaido teria conseguido escapar.

Segundo a investigação, ele chegou a se esconder debaixo do chão durante a fuga. O filho dele, Gabriel Celestino, também é apontado pelos investigadores como alguém que teria auxiliado na fuga.

A Polícia Civil ainda levantou suspeitas sobre uma possível participação de Narciso Gomes Celestino, especialmente como eventual incentivador do crime e em questões relacionadas à logística da arma utilizada na execução.

Essas suspeitas, contudo, precisam ser analisadas pelas autoridades competentes e submetidas ao devido processo legal. Investigação policial não equivale a condenação, e cabe à Justiça avaliar as provas e estabelecer eventuais responsabilidades.

18 meses sem uma resposta definitiva

O que permanece como uma das principais questões do caso é o paradeiro de Adelaido.

Já se passaram aproximadamente 18 meses desde o assassinato, e o homem apontado pela Polícia Civil como responsável pelos disparos continua desaparecido.

O caso reúne uma série de elementos que, segundo os investigadores, permitiram reconstruir parte significativa da dinâmica do crime: conflitos familiares, ameaças, deslocamentos, registros digitais, depoimentos, a execução e a fuga.

Mas, apesar disso, a localização do principal investigado ainda não foi alcançada.

A sociedade merece respostas

É preciso repetir: investigação não é condenação. Cabe à Justiça analisar as provas, garantir o direito de defesa e definir responsabilidades.

Mas isso não impede que o jornalismo faça perguntas.

Um homem apontado pela Polícia Civil como executor de um assassinato permanece desaparecido um ano e seis meses depois. Enquanto isso, a família de Valdenice continua convivendo com a ausência de uma resposta definitiva sobre o paradeiro daquele que os investigadores apontam como responsável pelos disparos.

O tempo não pode transformar um caso dessa gravidade em apenas mais uma história esquecida.

Se a investigação conseguiu reconstruir as ameaças, identificar um possível contexto para o crime, apontar a dinâmica da emboscada e levantar elementos sobre a fuga, permanece a pergunta que incomoda:

O que ainda falta para localizar Adelaido Gomes Celestino?

E, sobretudo, por quanto tempo mais a família de Valdenice terá de esperar por uma resposta?

FONTE/CRÉDITOS: GP1