Investigação aponta tentativa de interferência em depoimentos

A Polícia Federal investiga a suposta participação do ex-secretário do Maranhão Raimundo Cutrim em uma articulação que teria como objetivo interferir nas investigações sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022.

De acordo com a PF, Cutrim, que atualmente cumpre prisão domiciliar, teria atuado para evitar que informações sobre uma possível participação de agentes públicos e integrantes da família do governador Carlos Brandão fossem incluídas nos depoimentos relacionados ao caso.

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A investigação descreve a atuação como uma espécie de operação de “contrainteligência”, destinada a dificultar o avanço das apurações.

Suposto repasse de R$ 160 mil

Segundo os investigadores, Raimundo Cutrim teria repassado aproximadamente R$ 160 mil em dinheiro vivo a familiares de Gilbson Júnior, condenado pela execução do empresário.

A PF afirma que o valor teria sido dividido em três parcelas: R$ 80 mil, R$ 50 mil e R$ 30 mil. Os pagamentos, conforme o relato apresentado pela investigação, teriam ocorrido em um imóvel relacionado a Cutrim, localizado no bairro Vinhais, em São Luís.

A suspeita é de que os recursos teriam sido oferecidos para que depoimentos fossem modificados e determinados nomes fossem retirados das investigações.

Gravação é citada pela investigação

O caso ganhou novos desdobramentos após Gilbson Júnior decidir colaborar com as autoridades. O pai dele, Gilbson César Soares Cutrim, teria sido procurado por Raimundo Cutrim.

Uma gravação ambiental de uma conversa entre os dois foi entregue à Justiça pela defesa de Gilbson. Segundo a investigação, no diálogo, Cutrim teria pedido que o pai convencesse o filho a alterar seus depoimentos.

Ainda conforme a PF, teriam sido oferecidas vantagens, dinheiro e imóveis para retirar das declarações referências ao presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, e a integrantes da família do governador.

Investigação alcançou o STF

Inicialmente, o caso era investigado no âmbito da Justiça estadual. Posteriormente, a apuração foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), após surgirem suspeitas envolvendo Daniel Brandão, integrante do Tribunal de Contas.

O processo chegou posteriormente ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois que a defesa de Gilbson Júnior apresentou suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha, que possui foro por prerrogativa de função.

O caso passou a ser relatado pelo ministro Flávio Dino.

PF cita suposto esquema envolvendo contratos públicos

Além das suspeitas relacionadas ao homicídio, a Polícia Federal afirma ter identificado indícios de uma estrutura que teria atuação em contratos do governo estadual do Maranhão.

Segundo a corporação, Raimundo Cutrim seria um dos nomes investigados como integrante de uma suposta organização criminosa. A PF também aponta a existência de um possível “ecossistema empresarial criminoso” envolvendo integrantes da cúpula do governo maranhense.

As apurações abrangem suspeitas de corrupção, desvios relacionados a emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução da Justiça.

Raimundo Cutrim é apontado como aliado político do governador Carlos Brandão.

Buscas autorizadas pelo STF

Nesta semana, Cutrim também foi alvo de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Polícia Federal.

De acordo com a investigação, ele também é apontado como possível informante de um jornalista que está sendo investigado por supostamente perseguir o ministro Flávio Dino.

As suspeitas ainda estão sob investigação, e eventuais responsabilidades criminais deverão ser definidas pela Justiça após o avanço do processo e a análise das provas.

FONTE/CRÉDITOS: G1