O Ministério Público do Piauí (MPPI) apreendeu processos, livros e outros documentos históricos que registram negociações envolvendo pessoas escravizadas durante o período do Brasil Império, entre 1822 e 1889. A ação ocorreu durante a Operação Guarda-Mór, que cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços nos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco.

A operação foi conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entre os objetivos está a localização e preservação de documentos relacionados à história de Campo Maior, do Piauí e à Batalha do Jenipapo, além de materiais que teriam integrado o acervo judicial do Tribunal de Justiça do Estado.

Segundo o promotor de Justiça Maurício Gomes, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, parte dos materiais estava sob responsabilidade de representantes de uma fundação privada e apresentava risco de abandono e deterioração.

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Diante da situação, o Ministério Público adotou medidas para garantir a localização, a guarda e a preservação dos documentos e objetos. De acordo com o MPPI, foram realizadas tentativas de contato com a procuradora e presidente da fundação responsável pelo acervo. Como não houve acesso aos materiais nem informações suficientes sobre sua localização, as buscas foram autorizadas e realizadas.

Documentos serão analisados por especialistas

Após a apreensão, os documentos e demais materiais localizados deverão passar por catalogação e análise técnica. O trabalho será realizado por profissionais do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que deverão identificar os itens e avaliar sua relevância histórica e cultural.

Entre os materiais estão registros que podem contribuir para o estudo da sociedade piauiense durante o período imperial, incluindo documentos relacionados à escravização e à comercialização de pessoas.

Operação faz referência à preservação de arquivos

O nome da operação faz referência à figura do Guarda-Mór, autoridade responsável, no Reino e nas colônias, pela guarda e conservação de arquivos públicos, documentos reais e registros de cartórios.

A escolha do nome simboliza justamente a finalidade da ação: proteger documentos históricos e garantir que materiais de relevância para a memória do Piauí sejam preservados e possam ser estudados pelas futuras gerações.

Além do MPPI e do Gaeco, participaram da operação equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi), da Polícia Civil e pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí, vinculado ao curso de História e ao programa de pós-graduação da UFPI.

FONTE/CRÉDITOS: Portal o dia de comunicação