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A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que incentiva a adoção de um novo modelo de mapa-múndi capaz de representar com maior precisão o tamanho dos continentes. A proposta favorece a projeção Equal Earth, que corrige parte das distorções provocadas pelo tradicional mapa de Mercator e evidencia a verdadeira dimensão da África.
A resolução foi aprovada por 164 países, enquanto seis se abstiveram e apenas os Estados Unidos votaram contra. A iniciativa foi liderada pelo Togo, com apoio dos países da União Africana, em uma campanha para mudar a forma como o mundo é representado nos mapas utilizados em escolas, instituições e plataformas digitais.
O principal alvo da mudança é a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator. Embora tenha sido desenvolvida para facilitar a navegação marítima, a projeção amplia visualmente as áreas localizadas próximas aos polos e reduz proporcionalmente regiões próximas à linha do Equador.
Um dos exemplos mais conhecidos da distorção envolve a Groenlândia e a África. Nos mapas baseados em Mercator, os dois territórios podem aparentar ter dimensões semelhantes. Na realidade, porém, a África possui uma área aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia. O continente africano também é cerca de três vezes maior que o Canadá.
A projeção Equal Earth foi criada em 2018 pelos cartógrafos Tom Patterson, Bojan Šavrič e Bernhard Jenny. Diferentemente de Mercator, o modelo busca preservar a proporção das áreas continentais, fazendo com que a representação visual seja mais próxima do tamanho real das massas de terra.
A mudança, no entanto, não significa que o mapa de Mercator será proibido. A resolução da ONU não tem caráter obrigatório e reconhece que a projeção continua adequada para determinadas finalidades, especialmente a navegação marítima e aérea. A intenção é estimular o uso de representações mais proporcionais em materiais educacionais, mapas institucionais, meios de comunicação e tecnologias de localização.
O Togo afirmou que pretende ser um dos primeiros países a alterar seus materiais escolares e espera ampliar a discussão com os demais integrantes da União Africana, organizações internacionais e empresas de tecnologia. A iniciativa também é apresentada como uma forma de combater percepções equivocadas sobre a dimensão e a importância do continente africano.
A adoção de uma nova projeção, portanto, não altera fronteiras nem o tamanho real dos países. A mudança está na maneira como essas áreas são representadas em uma superfície plana, já que qualquer mapa do planeta necessariamente apresenta algum tipo de distorção ao transformar uma esfera em uma imagem bidimensional.
Publicado por:
Camylla Sousa
Camylla Sousa é jornalista formada pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), com experiência em produção de conteúdo jornalístico, telejornalismo, jornalismo digital, redes sociais, fotografia e assessoria de comunicação.
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