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Segunda-feira, 02 de Novembro 2026

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Listas de boicote a comerciantes que apoiaram Lula chegam à PF e à PGR; parlamentares pedem investigação nacional
Justiça

Listas de boicote a comerciantes que apoiaram Lula chegam à PF e à PGR; parlamentares pedem investigação nacional

Relações com nomes de empresários, comerciantes e trabalhadores identificados como apoiadores do presidente foram compartilhadas nas redes sociais após o segundo turno. Parlamentares acionaram a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público do Trabalho para investigar possíveis campanhas coordenadas de perseguição política.

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A circulação de listas com nomes de comerciantes e empresários apontados como apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma nova polêmica política no Brasil após o segundo turno das eleições de 2026. Publicações compartilhadas em redes sociais e grupos de WhatsApp incentivam consumidores a deixar de comprar em determinados estabelecimentos e, em alguns casos, chegam a defender a demissão de trabalhadores por suas preferências políticas.

O caso ganhou dimensão nacional depois que parlamentares do Partido dos Trabalhadores acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando uma investigação sobre a origem e a possível articulação das listas.

As relações apresentam nomes de restaurantes, lojas, prestadores de serviços, profissionais liberais e empresas que teriam manifestado apoio à candidatura de Lula. Entretanto, há relatos de pessoas incluídas mesmo sem terem declarado publicamente seu posicionamento político.

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Listas de boicote foram identificadas em diferentes estados

Reportagens publicadas pela imprensa nacional apontam que as listas começaram a circular em diferentes regiões do país logo após o resultado do segundo turno, realizado em 25 de outubro.

Em Tanabi, no interior de São Paulo, aproximadamente 40 comerciantes, empresários e profissionais liberais teriam sido incluídos nas relações.

Também foram identificadas publicações em municípios como São José do Rio Preto, Mirassol e Votuporanga.

Outras ocorrências foram relatadas em diferentes localidades, incluindo:

- São Paulo: Tanabi, São José do Rio Preto, Mirassol, Votuporanga, Ourinhos, Serrana e Lençóis Paulista.

- Paraná: Curitiba, Londrina, Francisco Beltrão e Ponta Grossa.

- Rio Grande do Sul: registros de listas e manifestações de boicote.

- Santa Catarina: denúncias envolvendo exposição de estabelecimentos.

- Minas Gerais: circulação de publicações com identificação de comerciantes.

- Mato Grosso: listas compartilhadas em grupos de WhatsApp.

- Pernambuco: ocorrências mencionadas na representação parlamentar.

- Rio de Janeiro: manifestações relacionadas à mobilização nas redes sociais.

Em Ponta Grossa, no Paraná, uma das relações divulgadas recebeu o título de "Boicote aos Comércios da Esquerda – PR" e teria reunido cerca de 60 nomes de empresas e profissionais.

As informações foram reunidas em reportagens e documentos apresentados às autoridades. A inclusão de um estabelecimento nessas relações, entretanto, não comprova que seu proprietário tenha apoiado Lula ou qualquer candidato.

Parlamentares acionam Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), acompanhado de outros parlamentares, encaminhou uma representação à PGR, à PF e ao MPT.

O documento solicita uma investigação nacional para identificar os responsáveis pela criação e distribuição das listas.

Entre os pontos apresentados estão:

- Identificação dos responsáveis pela elaboração das relações.

- Investigação sobre possíveis grupos organizados para disseminar os materiais.

- Análise de semelhanças entre textos, imagens e mensagens compartilhadas.

- Verificação de possíveis financiamentos ou estruturas de articulação política.

- Apuração de ameaças, perseguições e incentivos à demissão de trabalhadores.

A representação também menciona uma publicação atribuída ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), na qual comerciantes de esquerda eram desafiados a colocar bandeiras do PT em seus estabelecimentos.

Os parlamentares pedem que seja esclarecida eventual relação entre essa publicação e as campanhas de boicote. Até o momento, a representação não demonstra que o deputado tenha organizado as listas.

É importante destacar que o encaminhamento de uma representação às autoridades não significa que todas as pessoas mencionadas sejam investigadas ou que os crimes denunciados já tenham sido comprovados.

Ministério Público Federal também acompanha o caso

Além da representação parlamentar, o Ministério Público Federal informou que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) abriu procedimento administrativo para acompanhar a circulação das listas de boicote.

Em 29 de outubro, a PFDC solicitou informações aos procuradores-gerais de Justiça do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sobre as providências adotadas diante dos episódios registrados nesses estados.

O órgão também pediu informações sobre eventuais investigações criminais, procedimentos civis e ações destinadas a reparar danos sofridos pelas pessoas expostas.

No Paraná, o MPF informou que recebeu representações relacionadas a listas de boicote e incentivos à demissão de trabalhadores por divergências políticas.

MPT registra aumento de denúncias de assédio eleitoral

Outro ponto que chamou atenção foi o crescimento das denúncias de assédio eleitoral.

Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho, foram registradas 3.080 denúncias ao longo de 2026 até o período informado pela Agência Brasil.

Desse total, 1.140 foram recebidas nos três dias posteriores ao segundo turno, conforme declaração de representante do MPT.

As denúncias envolvem situações em que empregadores ou grupos tentariam interferir nas relações profissionais em razão das preferências políticas de trabalhadores.

O Ministério Público do Trabalho também passou a questionar publicações que incentivam empregadores a investigar o voto de funcionários, promover demissões ou impedir contratações por razões político-partidárias.

Boicotar empresas por posição política pode gerar consequências jurídicas?

O consumidor possui liberdade para escolher onde comprar e quais estabelecimentos deseja frequentar. Da mesma forma, empresários têm direito de manifestar suas opiniões políticas.

Entretanto, a exposição de pessoas, ameaças, perseguição, discriminação e campanhas destinadas a constranger trabalhadores ou provocar prejuízos mediante práticas ilícitas podem gerar responsabilização judicial.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também se manifestou contra as listas, alertando que esse tipo de iniciativa pode prejudicar não apenas os proprietários, mas também funcionários e famílias que dependem dos estabelecimentos.

O debate jurídico envolve a liberdade de expressão, o pluralismo político, a dignidade humana e a proteção ao exercício profissional.

Caso semelhante terminou em condenação judicial em São Paulo

A discussão também recupera um precedente ocorrido nas eleições de 2022.

Em Cafelândia, no interior paulista, dois homens foram condenados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2025, pelo crime de perseguição após a elaboração e divulgação de uma lista de comerciantes considerados apoiadores da esquerda.

A decisão estabeleceu indenizações às pessoas atingidas que formalizaram reclamações.

O precedente passou a ser mencionado no debate sobre as novas listas divulgadas após as eleições de 2026.

Investigação pode revelar origem das listas

Uma das principais questões levantadas pelos parlamentares é se as relações divulgadas em diferentes estados foram produzidas de maneira independente ou se existe algum tipo de coordenação entre os responsáveis.

A investigação solicitada pretende identificar possíveis conexões entre grupos, administradores de comunidades digitais e pessoas envolvidas na disseminação dos materiais.

Até o momento, não há comprovação pública de um comando nacional responsável pela produção das listas.

O caso continua sob acompanhamento de órgãos do sistema de Justiça, enquanto comerciantes e trabalhadores atingidos relatam preocupação com ameaças, exposição pública e possíveis prejuízos financeiros.

A discussão coloca em evidência os limites entre manifestação política, liberdade de escolha do consumidor e possíveis práticas de perseguição motivadas por divergências ideológicas.

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Kleyson moura

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Kleyson moura

Kleyson Moura é diretor de redação do portal Querido Piauí, especializado em notícias regionais do Piauí, com foco em Teresina, Picos e Floriano. Possui formação em gestão de recursos humanos, negócios imobiliários, estratégia de vendas e jornalismo...

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