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A Justiça do Piauí autorizou que o ex-capitão da Polícia Militar Allisson Wattson da Silva Nascimento deixe a unidade prisional e passe a cumprir pena em regime semiaberto harmonizado, sob monitoramento eletrônico. Ele foi condenado pelo feminicídio da estudante de Direito Camilla Abreu, assassinada em outubro de 2017, em Teresina.
A decisão foi assinada em 12 de setembro de 2026 pelo juiz Marcus Klinger Madeira de Vasconcelos, da Vara de Execução Penal de Teresina. A informação foi divulgada pelo portal GP1 e repercutida por outros veículos de comunicação do Piauí. GP1 +1
A autorização ocorre em meio à superlotação do sistema penitenciário estadual e estabelece uma série de condições que deverão ser cumpridas pelo condenado enquanto estiver fora da unidade prisional.
### Superlotação da Major César motivou decisão
Um dos principais fundamentos da decisão é a situação da Colônia Agrícola Penal Major César Oliveira, onde Allisson cumpria pena.
Conforme informações de uma inspeção judicial realizada em agosto de 2026, a unidade possui capacidade para 378 internos, mas abrigava 833 pessoas, ultrapassando em mais de duas vezes o número de vagas disponíveis.
Diante desse cenário, o magistrado aplicou regras relacionadas à antecipação da saída de presos que estão próximos de preencher os requisitos para progressão de regime.
No caso de Allisson, o requisito temporal para a progressão estava previsto para agosto de 2027. GP1 +1
### Quais são as condições para permanecer fora da prisão?
A decisão estabelece medidas restritivas para o ex-capitão. Entre as determinações estão:
* Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
* Recolhimento domiciliar entre 22h e 6h;
* Permanência em casa durante os dias de folga;
* Comprovação de atividade profissional lícita em até 30 dias;
* Apresentação bimestral à Justiça;
* Proibição de deixar Teresina sem autorização judicial.
O descumprimento das condições poderá resultar na revogação do benefício e no retorno ao estabelecimento prisional. GP1 +1
### Relembre o feminicídio de Camilla Abreu
Camilla Abreu tinha 21 anos e era estudante de Direito quando foi assassinada em outubro de 2017, em Teresina.
O caso provocou grande repercussão no Piauí. Após o desaparecimento da jovem, as investigações da Polícia Civil apontaram Allisson Wattson, então capitão da Polícia Militar e namorado da estudante, como responsável pelo crime.
O corpo de Camilla foi encontrado em uma área de mata na zona rural de Teresina. O ex-policial confessou o crime e indicou o local onde havia escondido o corpo.
Em setembro de 2021, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri. Posteriormente, a pena foi elevada para 22 anos de prisão, incluindo os crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve a condenação. GP1 +1
Decisão reacende debate sobre o sistema prisional
A autorização para que o ex-capitão deixe a unidade prisional reacende a discussão sobre a superlotação dos presídios e os critérios utilizados pela Justiça para conceder benefícios na execução penal.
O caso também chama atenção pela gravidade do crime e pelo impacto que o feminicídio de Camilla Abreu provocou na sociedade piauiense.
É importante destacar que a decisão não representa absolvição nem extinção da pena. Allisson continua condenado e deverá cumprir as condições impostas pela Justiça.
Querido Piauí
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