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A Lei Maria da Penha completa duas décadas como um dos principais marcos na proteção dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência doméstica e familiar. Apesar dos avanços proporcionados pela legislação, autoridades alertam que muitas vítimas ainda permanecem em silêncio e demoram a buscar ajuda.
Em entrevista ao portal O Dia nesta sexta-feira (7), a delegada Eugênia Villa destacou que apenas cerca de 40% das mulheres vítimas de violência recorrem às autoridades policiais. Segundo ela, antes de chegar à delegacia, muitas procuram familiares, instituições religiosas e amigos, o que pode atrasar a intervenção do poder público.
“Esse silêncio é que é avassalador, é um silêncio que grita, que está pedindo por socorro”, afirmou a delegada, ao explicar o comportamento de mulheres que enfrentam situações de violência.
Dependência emocional dificulta a denúncia
Para Eugênia Villa, a dificuldade de romper com o ciclo de violência não está relacionada apenas à dependência financeira. A delegada aponta a dependência emocional e fatores socioculturais como elementos que contribuem para que muitas mulheres permaneçam em relacionamentos abusivos.
Segundo ela, a estrutura patriarcal ainda influencia a forma como as mulheres enxergam sua própria autonomia e segurança, criando uma percepção de que precisam da proteção ou da presença de um homem para conduzir a própria vida.
A delegada defende que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa começar ainda na formação social e educacional, com ações que estimulem a autonomia feminina e questionem padrões que perpetuam a desigualdade de gênero.
Mais mulheres em espaços de poder
Eugênia Villa também defende a presença feminina em espaços de decisão política como uma das estratégias para promover mudanças estruturais no combate à violência de gênero.
Na avaliação da delegada, a maior participação das mulheres em instituições como o Congresso Nacional pode contribuir para a criação e aprovação de políticas públicas voltadas à autonomia feminina, à proteção das vítimas e à prevenção da violência.
“Eu aprendo a igualdade, eu celebro a igualdade, mas eu não vivencio a igualdade no cenário empírico”, declarou.
Para ela, a ocupação de espaços de poder por mulheres é importante para que as políticas públicas reflitam de maneira mais efetiva as necessidades da população feminina.
Rede de proteção oferece canais de atendimento
No Piauí, mulheres vítimas de violência contam com diferentes serviços que podem ser acionados de acordo com a situação.
Entre os canais mencionados estão:
190: destinado a situações de emergência, como agressões, ameaças ou violência em andamento;
180: Central de Atendimento à Mulher, serviço nacional de orientação e encaminhamento;
“Ei, mermã! Não se cale!”: serviço de atendimento multiprofissional do Governo do Piauí;
BO Fácil: ferramenta que permite o registro digital de ocorrências;
Salas Lilás: espaços destinados ao acolhimento e à escuta qualificada de mulheres vítimas de violência;
Casa da Mulher Brasileira: estrutura voltada ao acolhimento e atendimento humanizado de mulheres em situação de violência.
A orientação das autoridades é que mulheres que estejam sofrendo violência procurem ajuda e acionem a rede de proteção o mais cedo possível. O enfrentamento à violência doméstica depende não apenas da denúncia, mas também do fortalecimento das estruturas de acolhimento e da autonomia das vítimas.
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