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Os terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho completam duas semanas nesta quarta-feira (8), enquanto o país ainda enfrenta uma das maiores operações de resgate de sua história. Sem divulgar um número oficial de desaparecidos, o governo venezuelano é pressionado por familiares das vítimas, enquanto um portal criado pela sociedade civil já reúne mais de 30 mil registros de pessoas cujo paradeiro ainda é desconhecido.
Segundo o balanço mais recente das autoridades, os tremores deixaram 3.685 mortos e 17.907 pessoas diretamente afetadas. Além disso, cerca de 86.794 famílias receberam assistência humanitária desde o desastre. Os danos estruturais também são expressivos: 856 edifícios foram atingidos, sendo que 190 ficaram completamente destruídos.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram na noite de 24 de junho e foram os mais intensos registrados na Venezuela desde o ano de 1900. Desde então, mais de mil réplicas foram registradas, aumentando o risco para equipes de resgate e moradores das áreas atingidas.
Na região de La Guaira, uma das mais devastadas, o clima de esperança dos primeiros dias deu lugar à tristeza e à resignação. Muitos moradores relatam frustração com a resposta das autoridades e tentam reconstruir a rotina em abrigos improvisados, promovendo atividades para crianças e buscando forças para enfrentar o luto coletivo.
De acordo com o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, mais de 6.400 pessoas foram resgatadas desde o início das operações. Atualmente, cerca de 4.300 socorristas internacionais trabalham em conjunto com aproximadamente 27 mil voluntários nas áreas afetadas.
Integrante da missão brasileira, o tenente-coronel Rafael Cosendey, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, informou que as equipes concentram seus esforços principalmente na localização e retirada de corpos, já que as chances de encontrar sobreviventes são consideradas extremamente reduzidas.
As operações seguem dificultadas pelo grande volume de escombros, pela profundidade dos soterramentos, pelas altas temperaturas e pelo risco constante de novos tremores. Até o momento, a equipe brasileira localizou 19 vítimas.
Mesmo diante das adversidades, familiares e voluntários continuam participando das buscas, mantendo viva a esperança de localizar parentes e amigos desaparecidos em uma das maiores tragédias naturais da história recente da Venezuela.
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