A Polícia Civil do Piauí descartou, até o momento, a ocorrência de vazamento do gabarito do concurso público da Prefeitura de Altos. Segundo o delegado Laércio Evangelista, coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), a investigação identificou uma tentativa de fraude durante a aplicação das provas, realizada no sábado (29).

“Não houve vazamento de gabarito, os candidatos podem ficar tranquilos e o que tivemos, na verdade, foi uma tentativa de fraude”, explicou o delegado.

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Um homem de 62 anos, identificado como Francisco Carlos, foi preso em flagrante enquanto realizava a prova. De acordo com a Polícia Civil, os agentes encontraram com ele papéis contendo possíveis respostas para questões do concurso.

As investigações apontam ainda que o candidato teria tentado manipular os dados de sua inscrição para ser colocado na mesma sala que uma candidata também investigada por suspeita de fraude.

Segundo Laércio Evangelista, Francisco teria acrescentado uma letra ao início do próprio nome no cartão de inscrição, passando a aparecer como “VFrancisco”. A alteração teria sido feita com o objetivo de influenciar a distribuição dos candidatos nas salas de aplicação.

“Ele alterou o nome, colocando uma letra no início do nome, tentou manipular para que fosse alocado em uma mesma sala para que fosse realizada a prova junto com outra candidata. Essa candidata também está sendo investigada por esse crime e os dois serão expulsos do certame”, afirmou.

A Polícia Civil também identificou divergências entre os dados presentes nos cartões de inscrição e as informações apresentadas por candidatos. A suspeita é de que alterações tenham sido realizadas para colocar pessoas investigadas na mesma sala e facilitar a execução da fraude.

O delegado destacou que Francisco Carlos já era conhecido das autoridades por envolvimento em outras tentativas de fraude em concursos públicos. Segundo ele, o suspeito já havia sido preso anteriormente pelo DRACO.

“Um indivíduo já bem conhecido da polícia, que mais uma vez tentou fraudar o concurso, mas que foi identificado pela nossa equipe de inteligência, um trabalho feito juntamente com a empresa organizadora do concurso e, por essa razão, com essa troca de informações, conseguimos identificar esse suspeito”, disse Laércio.

Prisão preventiva

Após a prisão em flagrante, Francisco Carlos passou por audiência de custódia no domingo (30). Na ocasião, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.

A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer toda a dinâmica da tentativa de fraude e identificar se outras pessoas participaram do esquema. Entre as possibilidades investigadas está a prática de falsidade ideológica relacionada às alterações nos dados dos candidatos.

A corporação reforçou que, conforme as informações apresentadas pelo delegado, a investigação não apontou vazamento do gabarito oficial do concurso. O caso permanece sob apuração.