O Piauí registrou um aumento expressivo no número de mortes violentas intencionais (MVI) de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos em 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e mostram que o estado teve uma das maiores altas do país nesse tipo de ocorrência.

De acordo com o levantamento, o número de vítimas passou de 39 casos em 2024 para 56 em 2025, representando um crescimento de 46,2%. O resultado contrasta com o cenário nacional, onde foi registrada uma redução de 10,8% nas mortes violentas de crianças e adolescentes. Em todo o Brasil, os casos caíram de 2.356 para 2.079 no mesmo período.

Os dados também revelam que o aumento foi observado em todas as faixas etárias analisadas no estado. Entre crianças de até 11 anos, as mortes passaram de seis para nove registros. Já entre adolescentes de 12 a 17 anos, o número saltou de 33 para 47 vítimas, concentrando a maior parte dos casos.

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Para o professor e doutor em Sociologia Daniel Santos, o crescimento da violência letal envolvendo crianças e adolescentes reflete mudanças na dinâmica da criminalidade no Piauí. Segundo ele, a expansão e o fortalecimento de facções criminosas em Teresina, na região metropolitana e em municípios do interior têm ampliado a exposição de jovens aos conflitos entre grupos criminosos.

O especialista explica que adolescentes vêm sendo recrutados para desempenhar funções consideradas de baixo escalão nas organizações criminosas, como vigilância, transporte de drogas e armas, cobrança de dívidas e cumprimento de ordens. Esse cenário aumenta significativamente o risco de envolvimento em episódios de violência letal.

Apesar disso, Daniel Santos ressalta que o Anuário não permite concluir que todas as vítimas possuíam ligação direta com facções criminosas. No entanto, ele destaca existir uma forte relação entre o crescimento dessas mortes e o avanço das disputas territoriais promovidas pelo crime organizado em áreas socialmente vulneráveis.

O sociólogo ainda afirma que a violência ultrapassa os integrantes das organizações criminosas e passa a atingir familiares, amigos e moradores das comunidades onde ocorrem os conflitos. Para ele, o fortalecimento das facções transforma determinados territórios em espaços de disputa permanente, fazendo com que adolescentes sejam, ao mesmo tempo, alvo preferencial para recrutamento e as principais vítimas da violência.

Enquanto o Brasil apresentou redução nos índices gerais de mortes violentas intencionais, impulsionada principalmente pela queda dos homicídios dolosos, o avanço registrado no Piauí acende um alerta para autoridades de segurança pública e reforça a necessidade de políticas voltadas à proteção da infância e da juventude, além do enfrentamento à expansão das organizações criminosas no estado.

FONTE/CRÉDITOS: Portal o dia de comunicação