A Justiça da Vara Única da Comarca de Caracol, no sul do Piauí, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o empresário Délio Lúcio Rodrigues da Silva, apontado como responsável pela morte do também empresário Darlan Ribeiro. A vítima morreu após sofrer um choque elétrico ao tocar em um corrimão metálico de uma escada durante um show realizado em setembro do ano passado, em Caracol.

Empresário Darlan Ribeiro morreu durante evento no Piauí
Empresário Darlan Ribeiro morreu durante evento no Piauí

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que Délio Lúcio, na condição de proprietário e responsável pela empresa DL Eventos, teria assumido o risco de causar a morte da vítima diante das graves condições de insegurança identificadas na estrutura montada para o evento.

Segundo os autos, durante a realização dos festejos de Caracol, a DL Eventos ficou responsável pela montagem do palco, da estrutura metálica de sustentação e do sistema de energia, alimentado por um gerador próprio. Ainda conforme os documentos, a montagem ocorreu sem a participação de servidores municipais e sem laudo de vistoria ou acompanhamento de responsável técnico legalmente habilitado

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A estrutura foi considerada precária. O quadro de energia não dispunha de disjuntores nem de dispositivo diferencial-residual (DR). Além disso, o sistema de aterramento era improvisado e teve o cabo cortado. Fios elétricos também estavam expostos ao público, sem sinalização ou isolamento, condições que, segundo a investigação, violavam normas de segurança.

O Ministério Público considerou ainda que o denunciado tinha conhecimento da periculosidade da estrutura. Para embasar a denúncia, foram considerados o laudo do exame pericial realizado no local da morte, o exame cadavérico, depoimentos e declarações colhidos durante o procedimento policial, além de elementos relacionados à contratação da empresa.

Com o recebimento da denúncia, Délio Lúcio passa a responder formalmente à ação penal. O processo seguirá o rito dos crimes dolosos contra a vida, podendo chegar ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento desse tipo de crime.

A Justiça determinou a citação do acusado para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias. Caso não tenha condições financeiras de constituir advogado ou não se manifeste dentro do prazo, poderá ser nomeado um defensor público.

O recebimento da denúncia representa o início formal da ação penal e não significa condenação. Ao longo do processo, defesa e acusação poderão apresentar provas e testemunhas. Caberá à Justiça decidir, conforme o andamento da ação, se o acusado será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, que, em caso de pronúncia, será responsável por decidir sobre sua responsabilidade criminal.

FONTE/CRÉDITOS: Portal O Dia