Decisão da maioria dos ministros do STF derruba liminar e define que prazo de CPIs deve seguir regras internas do Legislativo

O Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quinta-feira (26), negar o pedido de prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga possíveis fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. A decisão foi tomada por maioria de votos no plenário da Corte.

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Com isso, os ministros derrubaram a liminar concedida anteriormente pelo ministro André Mendonça, que determinava a continuidade dos trabalhos da comissão. O entendimento predominante foi de que a prorrogação de CPIs é uma atribuição interna do Congresso Nacional, sem interferência do Judiciário, salvo em casos de violação direta à Constituição.

Entendimento do STF: prazo deve ser respeitado

O voto que prevaleceu foi do ministro Flávio Dino, que destacou que a Constituição garante à minoria parlamentar o direito de criar uma CPI, mas não assegura automaticamente sua prorrogação.

Segundo Dino, o funcionamento dessas comissões deve obedecer a regras claras, como prazo determinado e objetivo específico. Para ele, permitir prorrogações sucessivas poderia comprometer o equilíbrio institucional.

Além disso, o ministro ressaltou que cabe ao próprio Congresso definir, por meio de seus regimentos internos, se uma comissão deve ou não ter seu prazo ampliado.

Outros ministros reforçam separação dos Poderes

O posicionamento foi acompanhado por diversos ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Para Moraes, permitir que a minoria também tenha direito automático à prorrogação poderia contrariar o modelo constitucional, que estabelece prazo definido para o funcionamento das CPIs.

Já Zanin destacou que não há jurisprudência consolidada sobre o tema, defendendo que o próprio Legislativo deve interpretar suas regras internas. Gilmar Mendes, por sua vez, reforçou que o STF já possui entendimento consolidado sobre a autonomia do Congresso em decisões dessa natureza.

Votos divergentes defenderam prorrogação

Apesar da maioria formada, houve divergência entre os ministros. O relator do caso, André Mendonça, manteve seu posicionamento favorável à prorrogação da CPMI por até 60 dias.

Ele argumentou que, uma vez cumpridos os requisitos constitucionais, não caberia à presidência do Congresso decidir politicamente sobre a leitura do pedido, sob risco de violar direitos das minorias parlamentares.

O ministro Luiz Fux também acompanhou esse entendimento, defendendo que a prorrogação é uma extensão do direito de investigação garantido às minorias.

Impacto da decisão

A decisão do STF encerra a discussão judicial sobre a continuidade da CPMI do INSS e estabelece um precedente importante sobre os limites de atuação do Judiciário em relação ao Legislativo.

Na prática, o entendimento reforça o princípio da separação dos Poderes, deixando claro que questões internas do Congresso devem ser resolvidas pelos próprios parlamentares, seguindo seus regimentos.

A CPMI tinha como objetivo investigar denúncias de fraudes que teriam prejudicado milhares de beneficiários da Previdência Social em todo o país.