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Profissionais de saúde e representantes indígenas do Piauí participaram, nos dias 4 e 5 de novembro, do 1º Encontro Intercultural entre Parteiras, Parteiros, Lideranças e Profissionais de Saúde Indígena do Ceará e do Piauí. A atividade foi realizada na Aldeia Amofala, no Ceará, pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena Piauí-Ceará (DSEI-PI/CE).
O encontro reuniu parteiras, parteiros, lideranças indígenas e equipes multidisciplinares de saúde para promover a troca de experiências e valorizar os conhecimentos tradicionais relacionados ao nascimento e aos cuidados com a saúde materna e infantil. O Piauí contou com quatro representantes na programação.
Com o tema “Saberes do Cuidar e do Nascer”, a iniciativa teve como objetivo contribuir para uma assistência mais qualificada, humanizada e culturalmente respeitosa durante a gestação, o parto, o puerpério e os primeiros cuidados com os recém-nascidos. A programação incluiu rodas de conversa, exposições e atividades práticas.
Entre as participantes estava Amparo Gomes, indígena da etnia Tabajara e parteira da comunidade Nazaré, localizada em Lagoa de São Francisco, no Piauí. Ela destacou a importância do encontro para compartilhar experiências e fortalecer os conhecimentos tradicionais utilizados nas comunidades indígenas.
“Vim compartilhar um pouco da minha experiência como parteira, dos partos que já realizei. Neste encontro, fortalecemos ainda mais nossos conhecimentos para que possamos proporcionar partos cada vez mais seguros. Foram dois dias de muito aprendizado e troca de experiências”, afirmou.
A enfermeira responsável técnica da Base I, Francisca Ribeiro, que coordena a equipe responsável pelo atendimento nos municípios de Piripiri e Lagoa de São Francisco, também ressaltou a importância da aproximação entre os profissionais de saúde e as parteiras indígenas.
Segundo ela, conhecer de perto os saberes tradicionais e acompanhar o trabalho dessas mulheres permite ampliar o aprendizado e fortalecer a integração entre as práticas comunitárias e os serviços de saúde.
O coordenador da área, Filipe Silva, enfatizou que reconhecer os conhecimentos tradicionais é essencial para garantir uma assistência que respeite a cultura e as particularidades dos povos indígenas.
Ele destacou que os profissionais precisam compreender essas práticas e estar preparados para incorporá-las ao atendimento, sem desconsiderar ou desvalorizar os conhecimentos ancestrais. Para o coordenador, promover a equidade em saúde também significa respeitar os diferentes modos de cuidar.
Valorização dos conhecimentos tradicionais
Como encaminhamento do encontro, está prevista a elaboração de guias orientativos para compartilhar conhecimentos, práticas e experiências entre parteiras e parteiros indígenas. A proposta busca fortalecer a valorização dos saberes tradicionais e ampliar sua articulação com os serviços oficiais de saúde.
As parteiras e os parteiros indígenas são reconhecidos como especialistas das medicinas indígenas. Esse reconhecimento foi reafirmado pela Portaria GM/MS nº 10.676, de 2 de abril de 2026, no âmbito da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI).
A medida representa um avanço no reconhecimento da autonomia e da autodeterminação dos povos indígenas, valorizando seus conhecimentos, suas práticas tradicionais e seus próprios sistemas de cuidado.
A participação dos representantes piauienses reforça a importância de preservar os saberes ancestrais e promover uma saúde indígena que integre conhecimento científico, respeito cultural e valorização das tradições de cada comunidade.
Querido Piauí
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