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O Piauí deu um importante passo na área da saúde com a habilitação do Hospital Getúlio Vargas (HGV), em Teresina, para a realização de transplantes de fígado. A autorização do Ministério da Saúde ainda depende de publicação no Diário Oficial da União, prevista para ocorrer até o fim de novembro. A partir da oficialização, o hospital poderá iniciar a preparação dos primeiros procedimentos.

Atualmente, o Estado realiza transplantes de rins e córneas. Pacientes que precisam de outros órgãos são encaminhados para centros de referência em outros estados, como o Ceará. Foi o que aconteceu com o professor Jéferson Probo, diagnosticado em 2018 com hemocromatose, doença genética que provoca o acúmulo de ferro no organismo e pode comprometer o fígado.

Jeferson Probo, professor submetido ao transplante de fígado fora do Piauí
Jeferson Probo, professor submetido ao transplante de fígado fora do Piauí

A doença evoluiu para cirrose hepática e levou à falência do órgão. Sem a possibilidade de realizar o procedimento no Piauí, Jéferson precisou viajar para Fortaleza, onde passou por exames e acompanhamento até conseguir entrar na lista de transplantes do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram sete meses até a inclusão na fila e mais de nove meses aguardando o transplante.

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Em 2018, fui diagnosticado com uma doença. Essa doença evoluiu e prejudicou meu fígado. Eu fiquei com a chamada cirrose hepática, que é a falência do fígado. Pessoas como eu, que têm esse tipo de doença, têm no transplante a última fronteira da vida

Jeferson Proboprofessor submetido ao transplante de fígado fora do Piauí

Segundo Jéferson, a necessidade de deixar o Estado para realizar o tratamento provoca impactos que vão além da própria condição de saúde. O paciente precisa se afastar da família, do trabalho e reorganizar toda a rotina para permanecer próximo ao hospital onde aguarda o órgão.

“Quando não se tem um tratamento aqui no seu Estado, você pode ir para outro. Mas existem todos os problemas referentes ao deslocamento, transporte, você se afasta da família. A vida da pessoa que precisa de um procedimento desse muda de uma maneira muito drástica”, afirma.

O Tratamento Fora do Domicílio (TFD), oferecido pelo SUS, garante passagens para o paciente e um acompanhante, além de uma diária para hospedagem e alimentação, no valor de R$ 24, que é insuficiente para arcar com as despesas. Além disso, a distância também é um fator determinante para quem aguarda um transplante de fígado. Como o órgão precisa ser implantado em até 6 horas após a captação, o paciente deve permanecer próximo ao centro transplantador.

Jeferson Probo, professor submetido ao transplante de fígado fora do Piauí - (Arquivo pessoal)Arquivo pessoalJeferson Probo, professor submetido ao transplante de fígado fora do Piauí

Com o novo serviço sendo realizado agora no HGV, essa realidade deve mudar para os pacientes piauienses e trazer melhores condições. “Fazer o transplante de fígado aqui, você está em casa, está tendo suporte de pessoas para ficar revezando na enfermaria. É uma glória, uma vitória”, comemora Jéferson.

Para o professor, a habilitação também permitirá ao Piauí conhecer melhor a própria realidade e planejar políticas públicas de prevenção. Atualmente, muitos pacientes piauienses são acompanhados e transplantados fora do Estado, o que dificulta a formação de um diagnóstico preciso da demanda local. “Criando essa lista daqui, dá para ter uma realidade do Estado e até, de repente, adotar políticas públicas específicas”, conclui.

Piauí deve começar a estruturar fila de transplante

A diretora-geral do HGV, Nirvania Carvalho, explica que o hospital já está estruturado para iniciar a implantação do serviço e aguarda apenas a publicação da habilitação pelo Ministério da Saúde. Com a habilitação, o Piauí também deverá começar a estruturar sua própria fila de pacientes. Pessoas que já aguardam transplante em outros estados poderão ser avaliadas para uma possível transferência, conforme os critérios e a decisão de cada paciente.

Para o transplante de fígado acontecer, o hospital precisa cumprir o que é exigido. Já temos um consultório pré-transplante organizado para avaliar os pacientes que vão poder ser transplantados. Como a gente não fazia transplante, não tinha sentido ter uma fila, mas, a partir de agora, vamos abrir a fila do transplante hepático

Nirvania Carvalhodiretora-geral do HGV

A diretora destaca ainda que a implantação do serviço exigiu uma preparação de aproximadamente dois anos, com melhorias na estrutura física, protocolos, exames, equipe e logística hospitalar. A estrutura inclui ainda UTI especializada, centro cirúrgico preparado e profissionais de diferentes setores capacitados para atuar em conjunto. Segundo Nirvania, até mesmo profissionais como maqueiros, equipe de nutrição, admissão e laboratório receberam treinamento específico.

“Para realizar esse procedimento, o hospital tem que estar pronto, desde o ambulatório até a alta do paciente e após a alta. O paciente que entra tem que ser prioridade e ele tem que ter a garantia dos exames de laboratório, dos exames de imagem e de uma equipe disponível 24 horas. Os protocolos foram bem desenhados, o SUS e a equipe foram capacitados”, destaca.

A expectativa é de que a habilitação para o transplante hepático seja apenas mais uma etapa na ampliação dos serviços de alta complexidade do HGV. Segundo a diretora, o objetivo futuro é avançar também para a realização de transplantes cardíacos. Ela explica que um projeto foi iniciado, entretanto, o prazo mínimo para conclusão é de dois anos.

Nirvania Carvalho, diretora-geral do HGV - (Assis Fernandes/ODIA)Assis Fernandes/ODIANirvania Carvalho, diretora-geral do HGV

Para o professor Jéferson Probo, que há quase sete anos após o transplante ainda realiza acompanhamento periódico em Fortaleza, a chegada do transplante hepático ao Piauí representa uma conquista que pode mudar a vida de muitos pacientes.

Estou muito emocionado com isso, porque a gente sabe o sofrimento que é passar por uma cirurgia dessa, alta complexidade, em que a sua vida depende de um ‘sim’ de uma família, de um ato de amor, de compaixão, diante de um momento tão difícil que é perder um ente querido”, finaliza.

FONTE/CRÉDITOS: Portal O Dia