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Nem sempre o sonho de ser pai acontece na juventude. Para alguns homens, a paternidade chega somente depois de anos dedicados à carreira, à estabilidade financeira e à construção de uma vida pessoal mais estruturada. Quando isso acontece após os 50 anos, a experiência pode trazer desafios diferentes, mas também novas perspectivas sobre o significado de ser pai.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a idade média da primeira paternidade no Brasil é de 25,8 anos. Entre os homens com 60 anos ou mais, mais de 91% já tiveram filhos.
A chamada paternidade tardia pode exigir mais disposição física para acompanhar crianças pequenas, mas também permite que muitos pais contem com maior maturidade emocional, experiência de vida e estabilidade para enfrentar as responsabilidades da criação.
Aos 50 anos, empresário realiza o sonho de ser pai por meio da adoção
Um exemplo é o do empresário e apresentador Mariano Marques, de 70 anos, que se tornou pai solo de Francisco Daniel Mariano Marques, hoje com 17 anos. Ele adotou o filho quando já tinha mais de 50 anos, depois de dedicar boa parte da vida à carreira profissional.
Mariano conta que sempre teve grande afinidade com crianças e que, antes de se tornar pai, já desempenhava um papel próximo ao de um pai na vida de seus mais de dez afilhados.
Segundo ele, a decisão de adiar a paternidade esteve relacionada à busca por crescimento profissional e estabilidade.
“Eu toda a vida adorei crianças. Quem me conhece sabe do amor que eu tenho por elas. Sempre tratei meus afilhados como filhos. Estava presente na vida escolar, religiosa e social deles. Acho que isso me credenciou para ser pai. Mas antes eu fui cuidar da minha vida profissional”, relatou.
Depois de viajar pelo mundo em busca de conhecimento e construir sua carreira, Mariano decidiu finalmente realizar o desejo de ser pai.
Para o apresentador, a adoção de Daniel representou mais do que uma escolha pessoal. Ele considera que o encontro com o filho foi uma missão de vida.
“Daniel é meu filho do coração. Ele é adotado porque eu recebi um chamamento de Deus para ser pai. Um homem com mais de 50 anos decidir ir a um orfanato, adotar uma criança e ser pai solo precisa ter muita fé”, afirmou.
Mariano também destaca que, apesar de todas as conquistas profissionais, a paternidade se tornou uma das experiências mais importantes de sua vida.
Criar um filho depois dos 50 trouxe novos desafios
A experiência, no entanto, também apresentou dificuldades. Mariano reconhece que a disposição física já não era a mesma de quando era mais jovem, principalmente para acompanhar as brincadeiras e a energia de uma criança.
“Eu descobri que ser pai exige muita disposição. Meu filho corria, brincava, queria fazer tudo ao mesmo tempo, e eu trabalhava muito. Às vezes eu dizia: ‘Meu Deus, para ser pai tem que ser jovem’, mas, ao mesmo tempo, isso me dava uma alegria enorme”, contou.
Mesmo diante das limitações físicas, ele afirma que a felicidade proporcionada pela convivência com o filho supera qualquer dificuldade.
“Ser pai não tem idade. Você pode ter 100 anos. Se Deus mandar um filho para você, você cria. O prazer de ser pai supera qualquer dificuldade”, declarou.
Paternidade também mudou a rotina e as amizades
A chegada de Daniel transformou a rotina do apresentador. Mariano passou a frequentar ambientes ligados à vida escolar e esportiva do filho e acabou criando vínculos com pais mais jovens.
Ele conta que começou a acompanhar campeonatos, frequentar clubes e participar de atividades que provavelmente não fariam parte de sua rotina se não fosse pela paternidade.
“Meu filho me deu a oportunidade de conviver com pais muito mais jovens que eu. Passei a fazer amizade com eles, acompanhar campeonatos, ir ao clube, assistir aos jogos. São pessoas que provavelmente eu nunca teria conhecido se não fosse por ele”, afirmou.
Mariano também decidiu participar diretamente dos cuidados diários do filho. Mesmo tendo a possibilidade de contar com um motorista, escolheu levar e buscar Daniel na escola sempre que possível.
Para ele, os momentos dentro do carro se transformaram em uma oportunidade de conversar e fortalecer a relação entre pai e filho.
“Eu percebi que estava perdendo momentos importantes. O motorista conversava com ele antes de mim. Então resolvi buscá-lo todos os dias. É no carro que a gente conversa sobre a escola, sobre o meu trabalho, sobre a vida. Esses minutos não têm preço”, relatou.
Pai novamente aos 50 anos, Francisco destaca a experiência
A paternidade em diferentes fases da vida também faz parte da história do comerciário Francisco Pessoa, de 60 anos. Ele foi pai pela primeira vez aos 20 anos e, décadas depois, voltou a viver a experiência com o nascimento de Davi Ladislau Pessoa, atualmente com 10 anos.
Entre os dois momentos, vieram décadas de experiências pessoais e profissionais que, segundo Francisco, mudaram sua maneira de enxergar a responsabilidade de ser pai.
Ele lembra que, aos 20 anos, a chegada do primeiro filho foi acompanhada por surpresa e medo, principalmente pela falta de experiência.
“Foram dois momentos distintos em minha vida, mas cada um foi muito especial. Ser pai aos 20 anos, ainda no auge da vida, foi um sentimento de surpresa e medo ao mesmo tempo, por não saber muita coisa da vida e como ser pai”, relembrou.
Com o nascimento do filho mais novo, Francisco afirma que conseguiu utilizar os aprendizados acumulados ao longo dos anos para enfrentar a nova fase.
“Tenho plena certeza de que a experiência me ajudou bastante a conseguir me reinventar para tentar dar a ele aquilo que um pai pode fazer por um filho ainda pequeno”, destacou.
Menos energia, mas mais experiência
Assim como Mariano, Francisco reconhece que a idade traz algumas limitações físicas. Aos 60 anos, ele afirma que já não possui a mesma energia que tinha aos 20 para acompanhar todas as atividades do filho.
“Uma coisa que me faz falta é a energia que eu tinha aos 20 anos e hoje não tenho mais para poder me dedicar às brincadeiras do meu filho, que às vezes cobra que eu participe com ele”, contou.
Entre as atividades que mais exigem disposição está o futebol, uma das brincadeiras preferidas de Davi.
Apesar disso, Francisco acredita que a maturidade oferece outras ferramentas importantes para a criação do filho, como paciência, experiência e maior capacidade de orientação.
Os filhos mais velhos também mantêm uma boa relação com o caçula, mesmo vivendo em casas diferentes e seguindo suas próprias rotinas.
Amor e responsabilidade não têm idade
Depois de experimentar a paternidade em duas fases distintas da vida, Francisco considera que a idade pode mudar a forma como um homem vivencia a criação dos filhos, mas não diminui o amor e a responsabilidade envolvidos.
Para ele, ser chamado de pai continua sendo uma das maiores realizações da vida.
“Ser pai é tudo de bom. Acho que não existe coisa melhor do que ouvir alguém te chamando de pai”, afirmou.
O conselho deixado por Francisco para quem pensa em ter filhos mais tarde é avaliar cuidadosamente a responsabilidade que acompanha a decisão.
“A responsabilidade é enorme, mas compensa”, concluiu.
As histórias de Mariano Marques e Francisco Pessoa mostram que não existe uma única idade para descobrir a paternidade. Seja pela adoção ou pelo nascimento de um filho, a experiência pode representar uma transformação profunda na vida de um homem, trazendo desafios, aprendizados e novas formas de construir vínculos familiares.
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