Polícia aponta negligência após jovem ingerir pesticida armazenado em garrafa PET

A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que investigou a morte do adolescente Michel dos Santos Messias, de 15 anos, ocorrida no dia 26 de janeiro de 2026, no município de Bertolínia, a cerca de 390 km de Teresina.

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De acordo com as investigações, o jovem morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda causada por envenenamento após ingerir, de forma acidental, o pesticida Metomil.

⚠️ Armazenamento irregular foi determinante para a tragédia

Segundo a Polícia Civil, a substância estava guardada de maneira inadequada em uma garrafa PET de refrigerante, sem qualquer identificação de risco, dentro de um armário no quintal da casa dos avós.

Com base em laudos periciais e depoimentos, os avós foram indiciados por homicídio culposo — quando não há intenção de matar, mas há negligência.

O delegado responsável pelo caso, João Ênio Coimbra Barbosa, destacou que o acidente poderia ter sido evitado.

> “O armazenamento de veneno em embalagens de consumo comum criou um risco previsível de acidente”, afirmou.

🧠 Condição de saúde do avô será avaliada pela Justiça

A investigação também apontou que o avô do adolescente apresenta sinais de déficit cognitivo, com episódios de desorientação e perda de memória, havendo suspeita clínica de Doença de Alzheimer.

A condição deverá ser analisada pela Justiça para determinar o nível de responsabilidade do idoso no caso.

⚖️ Possibilidade de perdão judicial

Ainda segundo o delegado, devido ao forte impacto emocional causado pela tragédia na própria família, foi sugerida a possibilidade de aplicação de perdão judicial.

> “Considerando o profundo sofrimento pessoal suportado pelos avós diante da tragédia familiar, foi submetida a possibilidade de medida mais branda”, explicou.

🏥 Entenda como aconteceu o caso

O adolescente morreu na manhã do dia 26 de janeiro após ingerir um líquido encontrado dentro da residência.

De acordo com a Polícia Militar, ele foi socorrido por uma equipe do Samu e levado ao Hospital Municipal Rita Martins, mas já chegou à unidade sem sinais vitais.

A responsável pelo jovem relatou que costumava armazenar bebidas alcoólicas em garrafas PET. Em um dos recipientes, havia uma substância guardada há cerca de dois a três anos.

Ao encontrar a garrafa, ela acreditou que se tratava de cachaça e chegou a descartar parte do conteúdo. Em seguida, o adolescente ingeriu o líquido.

Pouco tempo depois, ele apresentou sintomas graves, como mal-estar, confusão mental e rápida piora do quadro clínico.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Floriano, onde exames confirmaram a causa da morte por envenenamento.