A Polícia Civil do Piauí vai solicitar uma perícia de sanidade mental contra Josivan da Silva, investigado por perseguir e causar violência psicológica contra uma auxiliar de escritório de 33 anos em Teresina. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (13) pela delegada , titular da 3ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).

Segundo a polícia, a vítima afirma sofrer perseguições do suspeito há quase dez anos. Ela relata já ter registrado 23 boletins de ocorrência contra o homem. O caso mais recente foi denunciado nesta terça-feira (12), após ele voltar a enviar mensagens em tom de deboche relacionadas às denúncias feitas anteriormente.

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De acordo com a delegada, o investigado ainda será ouvido novamente, assim como familiares dele, antes da conclusão do novo inquérito policial.

“Após ouvir as testemunhas, iremos ouvir o Josivan e vou ouvir novamente a genitora dele, até para saber como está o comportamento dele, se demonstra alguma alteração emocional e psíquica. Também vamos solicitar perícia junto ao IML com relação aos supostos problemas mentais do autor”, afirmou Georgiane Silva.

A delegada explicou que, caso o laudo psiquiátrico confirme algum transtorno mental, a informação será encaminhada ao Judiciário e ao Ministério Público para adoção das medidas cabíveis.

“Iremos concluir o procedimento, encaminhar para o Judiciário e, caso seja verificado algum problema psiquiátrico, iremos repassar a informação ao Ministério Público e talvez ele seja internado compulsoriamente”, destacou.

Segundo a Polícia Civil, somente na 3ª DEAM já foram registrados 11 boletins de ocorrência relacionados ao caso. Os procedimentos investigam crimes de perseguição e violência psicológica.

“São 11 boletins de ocorrência registrados nesta unidade. Possuímos inquéritos deste caso desde o ano de 2022 até 2025 e instauramos um agora em 2026. Foram registrados crimes de perseguição e, nesse último caso, além da perseguição, também houve situação de violência psicológica”, informou a delegada.

Suspeito já foi preso anteriormente

Conforme o relato da vítima, os episódios começaram em 2016, quando ela passou a trabalhar na mesma empresa que o suspeito. Em 2017, segundo ela, o homem teria feito ameaças de morte dentro do ambiente de trabalho.

Josivan da Silva chegou a ser preso em 2018 por perseguição. No entanto, segundo a polícia, após deixar a prisão ele voltou a praticar os mesmos atos contra a vítima.

“Ele foi preso anteriormente, durante as investigações, passou um período detido e, ao sair da prisão, voltou a cometer os mesmos atos e as mesmas práticas contra a vítima”, acrescentou Georgiane Silva.

Risco à integridade da vítima

A delegada afirmou ainda que existe risco à integridade física da mulher devido à proximidade entre os bairros onde ambos moram e ao fato de o investigado conhecer a rotina da vítima.

“Existe risco à vida da vítima, até porque eles moram em bairros próximos. Por onde ela passa, ele já tem conhecimento dos hábitos dela. Geralmente ele acena para a vítima e tenta intimidá-la de alguma forma”, disse.

O Ministério Público do Piauí também acompanha o caso. A promotora , coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crime, informou que o órgão iniciou o acolhimento da vítima e realizará uma avaliação de risco para definir medidas de proteção.

“A gente já está abrindo o procedimento, quer fazer o acolhimento e vai realizar uma avaliação de risco dela, tanto de onde ela está quanto do que pode ser feito para protegê-la”, afirmou a promotora.