Uma doença rara, progressiva e ainda pouco conhecida tem preocupado especialistas em cardiologia no Brasil: a Amiloidose por Transtirretina. A condição afeta diretamente o coração e pode ser fatal se não diagnosticada e tratada precocemente.

A enfermidade ocorre quando a proteína transtirretina (TTR), produzida no fígado, sofre alterações estruturais e passa a se acumular no músculo cardíaco. Esse acúmulo forma depósitos chamados de amiloide, que deixam o coração rígido e comprometem sua capacidade de bombear sangue adequadamente, levando à insuficiência cardíaca.

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De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Cardiologia, cerca de 55,2 pessoas a cada 100 mil com mais de 65 anos são afetadas pela doença no país. No total, aproximadamente 12.900 brasileiros convivem com o problema, que atinge principalmente homens acima dos 60 anos.

Os sintomas costumam evoluir de forma silenciosa e incluem cansaço excessivo, falta de ar, inchaço nas pernas e episódios frequentes de internação por problemas cardíacos. Com o avanço da doença, há perda significativa da capacidade física e piora na qualidade de vida.

💊 Novo tratamento traz avanço importante

Uma nova alternativa terapêutica tem trazido esperança para pacientes: o medicamento Beyonttra. Ele atua estabilizando a proteína TTR, impedindo que ela se desdobre e forme os depósitos prejudiciais no coração.

Em estudo clínico de fase 3, o medicamento apresentou resultados expressivos, sendo mais eficaz que o placebo no desfecho principal analisado. Pacientes tratados tiveram 77,2% mais chances de obter benefício clínico, além de redução no risco de mortalidade cardiovascular.

Especialistas apontam que o avanço no tratamento pode representar uma mudança significativa no prognóstico da doença, principalmente quando o diagnóstico é feito de forma precoce.

⚠️ Atenção aos sinais

Apesar de rara, a amiloidose cardíaca exige atenção, especialmente em idosos com sintomas persistentes de insuficiência cardíaca sem causa aparente. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.